Istambul, 3o Dia: Blue Mosque e Aya sofya

No nosso terceiro dia em Istambul, como não tínhamos compromissos ao longo do dia, aproveitamos para conhecer os highlights culturais da cidade. Fomos direto para Sultanahmet (a "vieille ville" de Istambul), visitarmos a Aya Sofya, Topkaki Sarayi e Sultanahmet Camii.


Começamos pela Sultanahmet Camii, a famosa Mesquita Azul. A Mesquista Azul foi construída entre 1609 e 1619, durante o governo de Ahmed I. A mesquita mantém sua função como templo muçulmano, apesar de ser uma atração turística bem popular. 


O design externo é uma mistura de arquitetura otomana e islâmica tradicional, incorporando elementos bizantinos. A mesquista é considerada a última grande mesquita do período clássico. Uma coisa bem interessante sobre a Mesquita Azul é que ela possui seis minaretes, o que na época, foi um escandalo! Até então, o normal/aceitável era quatro minaretes, pois apenas a Al-Masjid al-Haram, a Grande Mesquita em Meca possuia seis minaretes. Diz a lenda que Ahmed I encomendou minaretes de ouro ("altin"), mas o Mehmed Aga, o arquiteto, entendeu seis minaretes ("alti").


A mesquita é enorme por dentro, com capacidade para abrigar 10 mil pessoas. O que impressiona MESMO são os 20 mil azulejos artesanais que decoram o interior da mesquita. Os azulejos são todos de Iznik, a capital de azulejo na Turquia. Na época da construção da mesquita, Ahmed I decretou um preço fixo para os azulejos (malandro, né?!) para manter o custo da construção estável.


Além dos 20 mil azulejos, a mesquita é toda decorada por tinta azul e mais de 200 vitrais. As decorações têm referência aos versículos do Alcorão. Originalmente, os lustres dentro da mesquita eram cobertos de ouro, pedras preciosas, cristais e ovos de avestruz (para espantar aranhas!), mas hoje em dia, esses lustres luxuosos estão em museus. 


A Mesquita Azul é bem bonita por dentro e fiquei impressionada com o trabalho dos azulejos e dos vitrais. Porém, confesso que não senti altas emoções. (e não, não é porque eu não sou muçulmana...não sou católica nem anglicana, mas fico arrepiada quando entro na Notre Dame e no Westminster Abbey). 


Acho que a falta de emoção foi mais porque não conheço a história da região tão bem assim. (no Westminster Abbey, por exemplo, só falto chorar de emoção enquanto procuro os túmulos Geoffrey Chaucer e Henry Purcell). Mesmo já tendo estudado Islamismo (já li o Alcorão algumas vezes), acho que preciso estudar mais sobre a importância dessa mesquita para poder apreciá-la melhor. 


Depois de conhecermos a Mesquita Azul, fomos visitar a Ayasofya (ou Hagia Sophia, "Santa Sabedoria"). A Ayasofya é um lugares que eu queria conhecer desde que aprendi sobre Constantinopla (ou seja, desde o século passado rsrsrsrs). Hoje em dia, a antiga basílica é um museu, mas ela já foi uma basílica ortodoxa (360-1453), uma catedral católica (1204-1261), e uma mesquita (1453-1931). Impressionante, né?! 


Durante mil anos, Ayasofya foi a catedral de Constantinopla (e a maior catedral do mundo!), servindo de cenário principal para cerimônias bizantinas imperiais, como coroações. Hoje em dia, se ela ainda fosse uma catedral, seria a quarta maior do mundo. A construção da basílica atual começou em 532, sob o comando do imperador Justiniano I. Ele contratou Isidoro (um físico) e Anthemius (um matemático) para fazerem o projeto da basílica. A construção, feita por mais de dez mil pessoas e utilizando materiais de todo o império (Síria, Tessália, Egito, Éfeso, entre outros) demorou apenas 5 anos. 


Interior da Ayasofya, obra pintada por Gaspare Fossati no séc. 19.

A principal contribuição arquitetônica da Ayasofya é sua enorme cúpula, caracterizando o auge da arquitetura bizantina. A cúpula tem um diâmetro de 31 metros e 56 metros de altura, um pouco menor que a do Pantheon. A gente tem a impressão que a cúpula é bem leve, por causa das arcadas contínuas de janelas em arcos abaixo dela, que contribuem para a entrada de luz no ambiente.  


Na realidade, a cúpula é suspensa por quatro seções triangulares e côncavas de alvenaria, que definem o formato circular da cúpula sobre a base retangular. Sendo assim, o peso todo da cúpula passa para os quatro pilares nos cantos da construção, e temos a impressão de que a cúpula flutua sobre os quatro arcos.


A Ayasofya é um dos grandes exemplos da arquitetura bizantina. O interior da basílica é todo decorado com mosaicos dourados e colunas de mármore policromáticos, verdes e brancos com pórfiro púrpura. O  templo tinha tantos detalhes artísticos e ricos, que o Justiniano I proclamou "Salomão, eu te superei!" após a construção do espaço. 


Os mosaicos da Ayasofya são bem bonitos. Esse é de 944 e fica no portal sudoeste da basílica. A Virgem Maria carrega Cristo em seu colo. À esquerda tem Justiniano I, oferecendo à Virgem Maria um modelo da Ayasofya. À direita, Constantino, o Grande, oferece à Virgem Maria um modelo da cidade. O mosaico representa a ligação entre a igreja e o império. 


Depois de visitarmos a Ayasofya, passeamos um pouquinho no bairro de Sultanahmet, a caminho do Palácio Topkaki (próximo post), mas esqueci de tirar fotos do bairro :( O bairro, apesar de ser o centro histórico de Istambul, tem um "je ne sais quoi" meio boêmio, jovem. Achei um charme! 

Labels: ,