Istambul, 3o Dia: Topkaki Sarayi

Foto: http://www.telegraph.co.uk/
O Topkaki Sarayi (ou Palácio Topkaki) foi a residência dos sultões otomanos entre 1465-1856 (400 dos 624 anos de império otomano). Hoje, é uma das principais atrações turísticas de Istambul, e contém relíquias sagradas do mundo muçulmano, incluindo a capa e a espada de Maomé. A construção do palácio começou em 1459, pela ordem do sultão Mehmed II. O complexo do palácio é composto por quatro pátios principais, e no seu auge, 4 mil pessoas o habitavam. O palácio é um show da riqueza e beleza otomana. Ele contém coleções de porcelanas, roupas, armas, escudos, armaduras, miniaturas otomanas, manuscritos islâmicos caligráficos e murais, além de uma exposição de jóias e tesouros otomanos na tesouraria. Infelizmente, não é permitido fotografar na tesouraria, então peguei essas imagens na Internet.

A tesouraria tem umas peças IMPRESSIONANTES, tipo o Diamante Spoonmaker, de 86 quilates (17g!!!), cercado por uma fileira dupla de 49 diamantes menores. Achei o Spoonmaker o destaque da tesouraria! (e chegar perto dele é que nem chegar perto da Mona Lisa no Louvre...uma fila que não acaba mais!) Além do diamante, também tem a Adaga de Esmeralda, que contém três esmeraldas colombianas ENORMES no cabo do punhal.

Porque imperador que se preze tem que ter uma chaleira de ouro cravejada em rubis e esmeraldas, né?!

Um dos points principais do palácio é o Harém Imperial, por onde nós começamos nossa visita. Originalmente, os haréns eram ambientes aonde as mulheres otomanas eram protegidas. Cada membro do harém era considerado um escravo (ou seja, como todo sultão era filho do ex-sultão e habitava o harém, todo sultão, durante sua infância/adolescência, era um escravo).

Interior do Harém. 

O harém do Topkaki tem mais de 400 quartos, aonde habitavam a Sultana Validé (mãe do sultão e "dona da casa," ou seja, a mulher mais poderosa do império), as concubinas e as esposas do sultão, os descendentes do sultão, e os eunucos negros, que eram os responsáveis pelo harém. Supostamente, assim que uma esposa tivesse um filho homem, um herdeiro ao sultanato, o sultão não a "visitava" mais, e ela se tornava responsável pela criação do filho, para que ele se tornasse o "escolhido" para ser o próximo sultão (e assim, ela, a mãe, se tornaria a próxima Sultana Validé). Já os eunucos negros eram os únicos homens, além do sultão, que podiam frequentar o harém (nenhum homem "intacto" tinha permissão de entrar no harém). Os eunucos eram então responsáveis pela organização e segurança do harém.

A primeira parada no harém é o hall de entrada, também conhecido como hall da fonte de ablução, que foi renovado após o incêndio de 1666. Esse hall dá passagem para os quartos dos eunucos negros, o jardim privado, e os quartos das odaliscas (escravas "dadas" de presente para o sultão). Esse espaço é inteiramente coberto com azulejos lindíssimos de Kutahya, do século 17.


Todos os ambientes são completamente revestidos em azulejos, até a lareira!

Além dos azulejos belíssimos, que já deixam o ambiente com um ar de riqueza, cada cantinho do harém é luxuoso. Essa janela, por exemplo, é completamente revestida de madrepérola.

Quando eu falo que TODO CANTINHO ERA LUXUOSO, não estou exagerando. Olha só o teto do quarto da Sultana Valide, a mãe do sultão. Lindo, né?!

Depois de passearmos pelos aposentos do harém, fomos passear nos pátios, que, (obviamente), também são todos revestidos de azulejos.


É tanto azulejo, mas tanto azulejo, que deu vontade de sair fotografando cada quadradinho diferente...
Muito lindo! 


Na saída do harém, tem o apartamento do príncipe herdeiro (o herdeiro "favorito," escolhido pelo sultão). Para manter a segurança do herdeiro (que poderia ser assassinado a qualquer instante por um de seus irmãos ou suas mães), o príncipe herdeiro vivia em reclusão, e por isso, esse ambiente ganhou o apelido de "gaiola." (particularmente, acho que eu abriria mão do trono...já imaginou passar a infância/adolescência/juventude trancada em uma casa, sem poder ver o mundo, esperando seu pai morrer para você herdar o trono?! Meio deprê...)

Apartamento do Príncipe Herdeiro

Quando terminamos nossa visita ao harém, exploramos um pouquinho mais o resto do palácio. Visitamos a tesouraria e as relíquias do profeta Maomé. Na verdade, o palácio não tem uma sinalização muito boa, e achávamos que estávamos na fila da tesouraria, mas na verdade, era a fila das relíquias...ou seja, acabamos vendo ambas. O Topkaki guarda as relíquias mais sagradas do mundo muçúlmano: o manto de Maomé, duas espadas, um arco, um dente (eca!), um fio de cabelo da barba do profeta (eca de novo!), e uma carta autografada. As relíquias são consideradas tão sagradas, que, 24 horas por dia, tem um imã ecitando textos do Alcorão neste ambiente. Vários muçulmanos fazem uma peregrinação para ver estes objetos (logo, a fila era bem grandinha...)

Carta escrita pelo profeta Maomé. Foto: Wikipedia.

Mesmo sendo uma pessoa sem crença, achei bem interessante (e bacana!) ver esses objetos (e fiquei aliviada ao descobrir que o dente e os cabelos da barba de Maomé são mantidos guardadinhos dentro de caixinhas moldadas em ouro e cobertas de rubis e esmeraldas, porque eu não queria ver um dente e cabelo velho não!) 

Depois de duas filas (uma para ver as relíquias, meio que por engano, e outra para ver a tesouraria do palácio), já estávamos meio cansados e resolvemos andar, sem compromisso, no palácio. Por acaso, encontramos um cantinho com uma vista linda! 
Corno de Ouro, visto do Topkaki.

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