Istambul: Casamento, Parte 2

E finalmente, no sábado a noite, comemoramos o último evento do casamento, com direito a uma cerimônia iraniana/persa e uma linda recepção! 

A cerimônia persa foi no exterior do palácio, nesse local maravilhoso!

Prontinha, esperando a cerimônia persa começar. 

Achei bem interessante que cerimônia iraniana de casamento ainda é baseada na tradição zoroastra (mesmo após a Revolução de 1979, que estabeleceu o país como uma república islâmica). Achei a cerimônia linda, cheia de ritos e simbolismo. Tudo tinha um significado específico! 

Os noivos chegando na cerimônia. Minha amiga usou um vestido LINDO de seda vermelha/laranja, com bordados dourados. A mãe dela comprou o vestido em um leilão (acho que no próprio Irã, mas não me lembro direito...) O noivo usou um colar de flores flores, simbolizando pureza, inocência e fidelidade. 

Logo no início da cerimônia, uma fumaça de incenso é utilizada para afastar mau olhado e purificar os noivos. Enquanto isso, a mãe da noiva (de azul na foto), tocava o dohol, um tambor especial utilizado para cerimônias. 

Durante a cerimônia, os noivos ficam sentados, em frente ao Sofreh-ye Aghd (vou explicar depois), com o noivo sempre à direita da noiva, simbolizando seu respeito por ela. Os noivos sentam embaixo de uma xale de seda, segurado por mulheres casadas (e felizes...nada de mulher casada triste) das suas famílias. Enquanto o celebrante fala, as mulheres se alternam, esfregam dois cones de açúcar ("Kalleh Ghand") em cima do xale, justamente em cima das cabeças dos noivos. Ao regá-los com açúcar, elas estão desejando doçura e felicidade ao novo casal. 

Esses homens na foto abaixo na verdade, não são parte da cerimônia persa, mas são importante na cultura turca (e estando na Turquia, por que não incorporar alguns elementos locais?) 
Eles são dervixes, seguidores do Sufismo. Os dervixes têm uma "dança" chamada de Sama, aonde eles rodopiam, e assim se conectam espiritualmente com Allah (nessa foto, eles estão rodopiando). A mão direita sempre aponta para o céu, enquanto a mão esquerda sempre aponta ao chão. Um dervixe bem treinado é capaz de praticar o Sama por horas seguidas, sem perder o equilíbrio e sem ficar tonto, entrando em uma espécie de transe devocional. 

No final da cerimônia, meus amigos liberaram duas pombas brancas. Particularmente, eu não entendi o porquê desse momento (e eu não gosto muito de pássaros enjaulados...) Porém, rendeu fotos engraçadíssimas, porque o noivo se assustou e se enrolou todo com as pombas... 

Ao contrário das cerimônias ocidentais, aonde os noivos cumprimentam somente os padrinhos (ou as vezes todo mundo, na saída da igreja...), na cerimônia persa os convidados todos cumprimentam os noivos, que continuam sentados em frente ao Sofreh-ye Aghd. 

O "Sofreh-ye Aghd" é uma série de oferendas que servem para proteger o novo casal e abençoar o casamento. Ele é composto de vários elementos, inclluindo um "Termeh," xale de cashmere com seda e cetim (esse "tapete" bege no meio). O "Termeh" é passado através das gerações. Entre as oferendas, tinha uma bandeja cheia de amêndoas, castanhas e avelãs, simbolizando fertilidade.

Adicionalmente, tinha um espelho ("Aayeneh-ye Bakht") e duas velas, uma para a noiva e uma para o noivo. As velas representam a luz, para que o futuro dos noivos seja esplendido e iluminado. Já o espelho tem dois significados: antigamente, era no espelho que o noivo via, pela primeira vez, o rosto da sua noiva, quando ela tirava o véu. Adicionalmente, durante a cerimônia, os noivos utilizam o espelho para um momento de reflexão, avaliando quem são como indíviduos e quem desejam ser como casal unido. Por isso, o espelho deve ficar sempre posicionado certinho, em frente ao casal. 

Também tinha uma taça de água de rosas, para perfumar a vida do casal. Ao lado, tinha uma taça de mel, para adocicar a vida do casal. Assim que a cerimônia termina, a noiva e o noivo devem molhar um dedo no mel e alimentá-lo ao outro, para que a vida deles seja sempre doce. Além desses itens, o "Sofreh-ye Aghd" também sempre deve ter o livro sagrado do casal, que, nesse caso, eu honestamente não sei qual foi (dado que minha amiga tem fé, mas não em uma religião específica e meu amigo é judeu...) 

Após a cerimônia, elegantes e prontas para a festa! 

Meu marido não é muito charmoso?

Mal sabia que a pior atriz de todos os tempos tinha usado "meu" vestido (encurtado) em uma premiere Hollywoodiana há uns meses.
Kirsten Stewart, a atriz que tem três expressões: confusa, blasé e constipada. 
No melhor estilo de revista de fofoca, proponho um voto: "Who wore it best?" 
(como Ms. Stewart provavelmente já tem um batalhão de gente afirmando sua auto-estima, é considerado educado e simpático deixar comentários levantando a minha auto-estima...até porque, vamos combinar que um sorriso no rosto vale mil vestidos, né?!)

O céu estava lindo, e de longe, víamos a lua maravilhosa subindo!

Os noivos, fazendo uma entrada triunfal (com direito a fogos!) na recepção. 

Aparentemente, no mesmo dia, estava rolando três casamentos no palácio. O dos meus amigos no exterior do palácio, mais um no restaurante e outro em um salão. Na hora que meus amigos chegaram na varanda, no melhor estilo "Kate e William" acenando para o público do balcão real, vi essa noiva na janela. Achei ela tão melancólica que não resisti e tive que fotografar.

A primeira dança do casal foi uma música super divertida e alegre do Haiti, país do noivo (acho que era um compa, tipo de merengue do Haiti)

Sério, esse visual não é maravilhoso?!

Após o corte do bolo, soltamos balões de hélio. A minha foto não ficou lá muito boa, mas imagino que as fotos do fotógrafo oficial tenham arrasado! 
E assim, chegamos ao fim da nossa viagem a Istambul. Foi uma viagem deliciosa e divertida, com direito a muitos momentos culturais e várias comemorações entre amigos!

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