Curso de Pré-natal no Hospital de Evanston

Durante as cinco semanas que passei no Brasil, uma das coisas que as pessoas mais me perguntaram (além do sexo do Cub e “como assim, você não quer saber?!”) era se eu “sabia” que, nos EUA, o parto provavelmente seria normal. Apesar de tentar ser educadinha e responder tranquilamente com um simples “sim, eu sei,” minha resposta era um pouco menos zen, do tipo “E você queria que saísse como?!” (e tenho quase certeza que respondia fazendo cara de bunda…)

Sei que existe um problema seríssimo no Brasil em relação a (não-)escolha do parto, ao medo que as mulheres têm em relação ao parto (e o jeito pelo qual a sociedade cultiva esse medo), e a falta de educação sobre este tópico. Não seria uma boa acadêmica se não achasse que informação é poder, e que, quanto mais informação temos sobre um assunto, menos medo temos e mais nos sentimos capazes. Sendo assim, lá fomos nós (marido e eu) nos inscrever no curso genérico de trabalho de parto oferecido pelo hospital de Evanston.

Vale mencionar que, 1o) quem sugeriu e encorajou para que fizéssemos esse curso foi nosso próprio obstetra, pois ele tem um interesse em preparar as pacientes para o trabalho de parto e 2o) digo “genérico” pois o curso do hospital não enfatiza nenhum método específico de parto (ao contrário de cursos do método Lamaze, Bradley, Hypnobirth, etc, que são mais longos e tem approaches mais específicos).

O curso tinha 8 casais, sendo que o “mais” grávido estava com data prevista de nascimento para 28 de outubro e o “menos” grávido, para 10 de dezembro. A instrutora do curso era uma enfermeira da maternidade, que além de ser especializada em trabalho de parto, também era uma consultora de amamentação e tinha um certificado em “childbirth education” (ou seja, “educação de trabalho de parto”…sim, aqui existe isso. Legal, né?)

Nas primeiras horas do curso, aprendemos sobre a anatomia do nascimento, literalmente sobre o que acontece (além do óbvio: bebê sai!) Foi uma aula rápida de biologia, química e anatomia. Essa parte eu não curti muito (anatomia nunca foi meu forte!) mas marido gostou. Foi nessa parte que aprendemos sobre os termos médicos e o que eles querem dizer. Ah, enquanto estou no tópico dos termos medicos, taí mais um motivo pelo qual acho que vale a pena fazer uma aula dessas: você aprende o linguajar médico! (ao invés de depender da aquisição desse conhecimento através dos episódios de Grey’s Anatomy e ER com grávidas…)

Depois, passamos umas boas três horas aprendendo várias técnicas de massagem, posições e respiração para aliviarmos a dor do parto naturalmente. Tinha simulação e tudo! As barrigudinhas ficavam nas posições, fazendo as várias respirações diferentes, enquanto os parceiros faziam as massagens e “acupressão.” Essa foi a parte que eu mais gostei! Primeiro porque essa parte habilita os parceiros com técnicas para participarem ativamente do trabalho de parto, o que achei BEM legal, pois faz com que o processo seja mais um “trabalho de equipe.” Segundo, que foi bom para descobrir o que eu acho confortável (por exemplo, achei a posição de ficar deitada péssima e as respirações mais curtinhas me deixam completamente sem ar.) 

Já no domingo, aprendemos sobre as intervenções médicas, seus prós e contras, indicações, etc (tipo peridural e outros analgésicos, mas também intervenções necessárias, eg cesáreas de emergência, uso do forceps/vácuo, etc). A instrutora listou os “motivos válidos para ter uma cesárea” (breech baby, mãe com lesão de herpes, problemas com a placenta, etc) e enfatizou que, neste hospital, cesárea só se for realmente necessário, tanto que uma das coisas que esse hospital mais se orgulha é a taxa de cesáreas abaixo da média nacional americana (sendo que essa maternidade é “nível 3,” ou seja, é equipada para lidar com gestantes de alto risco e recém-nascidos que necessitam tratamento intensivo, o que em geral leva a um número maior de cesáreas).


Também aprendemos que o hospital de Evanston é considerado um dos 50 melhores hospitais dos EUA. Na verdade, do ponto de vista tupiniquim, o hospital está mais para hotel do que hospital, com direito a piano no lobby, cascata de água na parede, chafariz na área de espera e até serviço de valet na maternidade! 
Piano de cauda no lobby do hospital
Plaquinha no elevador: business center e loja de "souvenir" são coisas de hotel, né?!

Depois do curso, fizemos um tour pela maternidade, visitando dois quartos de trabalho de parto (um com banheira de hidromassagem e outro sem), um quarto de recuperação e o berçário. 
Sala de espera da maternidade, com chafariz (desligado)
Sala de trabalho de parto.
Foto: http://scepticalexpat.wordpress.com/ (Que tem um relato de parto bem bacana aqui no hospital de Evanston)

Todos os quartos de trabalho de parto têm televisão, aparelho de DVD, bola de exercício, chuveiro, e camas que acoplam uma barra de metal, caso você queira parir de cócoras. 

Nesse hospital, a não ser que você peça para o bebê ficar no berçário, ele fica direto no quarto com os pais (assim como o parceiro, já que os quartos de recuperação têm uma cadeira que vira cama). Você pode ter quem você quiser contigo no quarto durante o trabalho de parto (doulas, parceiros, família...) mas apenas àqueles autorizados pela mãe podem entrar no berçário. Ah, e o mais fofo e high-tech: mãe e bebê ganham pulseirinhas de identificação (como em qualquer outro hospital), mas as pulseirinhas são magnéticas, e se, por acaso, o bebê sair de perto da mãe, quando ele volta para a mãe, as pulseirinhas "se identificam" e tocam as primeiras notas da canção de ninar de Brahms (se o bebê "errado" for entregue a mãe, as pulseirinhas apitam...) Legal, né?!
Enfim, gostamos muito do curso e achamos que valeu a pena o intensivão de 12 horas para aprendermos mais sobre o que esperar no dia D e também para conhecermos o hospital. Acho que nós dois saímos de lá muito mais tranquilos e um pouquinho mais preparados.

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